Coleira ou arnês: o que a ciência diz sobre o pescoço do teu cão
O pescoço do Ziggy é como o de uma girafa.
Longo, delgado e comprido.
Por isso é que os Whippets, galgos e outras raças semelhantes usam uma coleira mais larga, para distribuir melhor a pressão e proteger um pescoço que, apesar da aparência, é muito mais frágil do que parece.
Foi a pensar nisso que fui parar a um artigo do Shay Kelly, especialista em comportamento animal, mestre em Animal Behaviour e autor de livros como Canine Enrichment e Dog Training & Behaviour: a guide for everyone. Depois de o ler, é impossível olhar para uma coleira da mesma forma.
O que o Shay explica, com base na anatomia e em estudos científicos, é que o pescoço de um cão esconde muito mais do que músculos.
Por baixo daquela aparência robusta encontram-se estruturas vitais: a traqueia, o esófago, a glândula tiróide - que produz hormonas essenciais para o funcionamento de todas as células do corpo e que, ao contrário de outros órgãos, não se regenera após danos.
Há ainda as sete vértebras cervicais, a veia jugular, o nervo vago, e o ligamento nucal, aquela peça de anatomia extraordinária que permite ao cão farejar o chão durante horas sem esforço aparente. Curiosidade: se já compraste treats desidratadas naturais, aquele snack alongado que os cães adoram mastigar, o tendão de pescoço , seguraste literalmente o ligamento nucal de um bovino.
A ciência confirma o que a intuição já sugeria.
Um estudo de 2006 (Pauli et al.) descobriu que a pressão de uma coleira aumenta significativamente a pressão intraocular nos cães, ou seja, dentro dos próprios olhos. Um estudo mais recente, de 2020 (Carter et al.), testou vários tipos de coleiras e concluiu que todas representam risco significativo de lesão em cães que puxam, mesmo com forças baixas. Não é preciso ser um puxão brusco e violento para causar dano. Basta a tensão acumulada.
O Shay defende o arnês, especificamente o arnês em forma de Y, que considera menos restritivo para o movimento natural do cão. A sua lógica é simples: quando não é possível eliminar todo o risco, o objetivo é causar o menor dano possível.
No BAT 2.0, esta ideia está presente desde o início. A trela deve estar sempre em "smile shape", sem tensão. Não se puxa. Não se força. Dá-se espaço ao cão para se mover, observar e tomar decisões.
O Ziggy ainda usa coleira, mas tal como o BAT preconiza, não puxo. A trela está sempre em "smile shape", sem tensão. Estamos a fazer a transição para o arnês, e este artigo só me deu mais razão para continuar nesse caminho. Às vezes a intuição precisa de ciência para se confirmar.
Deixo aqui o link para o artigo original do Shay Kelly, em inglês, mas vale cada linha.
https://shaykelly.com/2021/07/06/should-mans-best-friend-be-led-by-the-neck/

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