Grisha Stewart, o BAT 2.0 e como aprendi a ver o meu cão de outra forma

Quando percebi que precisava de ajuda com o Ziggy, comecei a investigar a sério. 

Modo detetive online activado!

Foi uma daquelas pesquisas que começa num sítio e acaba noutro completamente diferente. Foi assim que cheguei a uma profissional que educa de acordo com a Grisha Stewart. A Grisha é educadora canina americana e criadora do método BAT 2.0 (Behavior Adjustment Training). 

Ainda não terminei o livro, esse post virá quando acontecer, mas tenho feito alguns dos seus cursos online, e posso dizer com toda a honestidade que mudaram a forma como vejo o Ziggy.

Não na forma de lhe dar comandos. Na forma de o entender e de compreender a reatividade, o contexto, o ambiente e o método. 

A ideia central do BAT 2.0 vai contra muito do que ainda se vê por aí: o cão tem escolha

Em vez de o forçar a avançar quando está assustado, de apertar a trela para o controlar ou de o expor repetidamente ao que o assusta na esperança de que se "habitue", o método propõe outra coisa: dar espaço, observar, e deixar que seja ele a decidir o que fazer com esse espaço. 

Para um cão reativo por medo ou insegurança, como o Ziggy, esta diferença é enorme. A reatividade não desaparece com pressão. Desaparece quando o cão aprende, gradualmente e por experiência própria, que o mundo não representa uma ameaça constante.

Ziggy deitado na relva num jardim, com a trela longa à volta

O que os cursos também me ensinaram, de forma muito concreta, foi a ler o Ziggy. 

Antes, via um cão a ladrar e reagia ao ladrar. Agora vejo o que acontece antes, ou seja, a tensão que aparece nas orelhas, o olhar que se fixa num ponto e não larga, a respiração que muda, o corpo que fica rígido. São sinais de que ele está a aproximar-se do seu limiar, aquele ponto a partir do qual já não consegue pensar, só reagir. Reconhecer esses sinais deu-me a possibilidade de agir antes de chegarmos lá (em muitas das vezes, não todas). 

A Grisha fala também do Survival Mode, que é um conjunto de ferramentas práticas para os momentos em que o gatilho aparece de repente e não há margem para esperar por uma boa decisão. Este kit inclui por exemplo:

  • o Mark & Move (marcar o momento em que o cão vê o gatilho, dizer por exemplo "yes" e afastar-me imediatamente mas com calma, depois dar a recompensa);
  • as competências de trela — deslizar, parar lentamente, imitar o puxar sem puxar de facto;
  • e comandos como "Let's go", "Toca" e "Busca" para redirecionar a atenção. 
Não são truques. São formas de comunicar com o Ziggy nos momentos mais difíceis, sem o pressionar, sem o punir por sentir o que sente. 

Prefiro um método que respeite o que o Ziggy sente em vez de o ignorar. De início, isso significa evitar gatilhos, trabalhar abaixo do limiar, e dar-lhe tempo. Pode não ser o caminho mais rápido. Mas é o que faz sentido para nós. 

Hoje os nossos passeios são diferentes. Não completamente fáceis, ainda há dias difíceis, ainda há gatilhos que apanham os dois desprevenidos. Nem falemos dos gatos. É o descontrolo total. Mas a forma como os vivemos mudou. Passámos a navegar o mundo juntos com mais atenção, mais paciência, e muito mais respeito pelo que ele sente. E com um método por trás, uma direção. Ajuda muito para não nos sentirmos sozinhos. 

Aqui fica um vídeo onde a Grisha explica, melhor do que eu, em que consiste o BAT Behavior Adjustment Training). 



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